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sábado, 1 de agosto de 2009

DICAS PARA SER UM BOM CONSELHEIRO TUTELAR

O Conselheiro Eficaz, no desempenho de suas atribuições legais, precisa superar o senso comum e o comodismo burocrático, ocupando os novos espaços de ação social com criatividade e perseverança. Para ser um conselheiro eficaz deve incorporar em suas ações o compromisso com o bom resultado. Lembre-se: DESAFIOS DO CONSELHO TUTELAR Ser mais que: * porta-voz de denúncias * testemunha de situações sociais críticas * funcionário de escritório. * Saber entender e resolver problemas. * Tornar-se uma referência comunitária segura e respeitada. * Ajudar a criar um movimento compartilhado de ações sociais eficazes. Pais, mães, tios, irmãos. Crianças e adolescentes. Juízes, promotores, delegados, professores. Médicos, dirigentes de instituições particulares, padres. Prefeitos, secretários municipais, líderes comunitários. Assistentes sociais, psicólogos, vizinhos, parentes... Esta é uma lista sem fim. O conselheiro tutelar, para desempenhar o seu trabalho, precisa relacionar-se com toda essa gente. Não é fácil. Não é impossível. É necessário. Para facilitar o seu trabalho, o conselheiro tutelar deve estar sempre atento a isso e desenvolver habilidades imprescindíveis: DE RELACIONAMENTO COM AS PESSOAS. DE CONVIVÊNCIA COMUNITÁRIA. DE ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO SOCIAL. O conselheiro tutelar deve ser um construtor, um organizador, um persuasor permanente, com ações que combatam os pequenos atos malfeitos, improvisados, impensados e de horizonte curto. E, principalmente, com um trabalho que incorpore genuinamente o alerta de D. Paulo Evaristo Arns: não adianta a luta intensa por novas estruturas organizacionais, sem a luta profunda por novos comportamentos . O que fazer? Como agir para não permitir que o dia-a-dia do Conselho Tutelar naufrague na mesmice, no formalismo, na acomodação? A utilização das capacidades e dos recursos gerenciais, destacados a seguir, pode ser um bom começo: Capacidade de Escuta: Saber ouvir e compreender as necessidades, demandas e possibilidades daqueles que precisam dos serviços do Conselho Tutelar. Não permitir que os preconceitos, o paternalismo ou a fácil padronização de atendimentos impeçam o correto entendimento de uma situação pessoal e social específica. Cada caso é um caso. Cada pessoa é uma pessoa. E tem direito a um atendimento personalizado, de acordo com suas particularidades. . Dicas * Definir horário para atendimento. * Atender em local reservado, garantindo a privacidade das pessoas. * Ouvir com serenidade e atenção a situação exposta. * Em caso de dúvida, procurar saber mais. * Fazer perguntas objetivas. * Registrar por escrito as informações importantes. * Orientar as pessoas com precisão. De preferência, por escrito. * Usar linguagem clara e orientações escritas. Capacidade de Interlocução: Saber conversar com o outro, expor com clareza suas idéias e ouvir com atenção as idéias do outro. O contato com os cidadãos e com as autoridades públicas e privadas que podem trazer soluções para suas demandas deve ser sereno, conduzido em linguagem respeitosa. É imprescindível o uso de argumentos racionais e informações precisas. Não permitir a "dramatização" de situações para impressionar ou intimidar as pessoas. Conversar para entender, fazer entender e resolver. Dicas * Organizar com antecedência a conversa: O que se quer alcançar. Como conseguir. Com quem conversar. Como conversar / Quais argumentos utilizar. * Marcar com antecedência o horário para a conversa. Ser pontual, educado e objetivo. * Ilustrar os argumentos, sempre que possível, com dados numéricos ou depoimentos objetivos das pessoas diretamente envolvidas na situação em discussão. * Registrar por escrito os resultados da conversa. Acesso a Informação: Saber colher e repassar informações confiáveis. É importante que o maior número de pessoas tenha acesso a informações úteis para a promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes. É um erro reter informações, bem como divulgá-las incorretas ou de procedência duvidosa (boatos), podendo induzir as pessoas a erros de juízo e de atuação diante dos fatos. Incentivar a circulação de informações de qualidade. Combater a circulação de boatos, preconceitos, disse-que-disse. Dicas * Buscar informações diretamente no lugar certo. * Confirmar a correção da informação. * Divulgar as informações de interesse coletivo. * Buscar meios criativos para divulgação das informações: jornais; boletins; murais; cartazes; programas de rádio; missas; serviços de alto-falantes; carros de som; reuniões. Acesso aos Espaços de Decisão: Saber chegar às pessoas que tomam decisões: prefeitos, secretários, juízes, promotores, dirigentes de entidades sociais e serviços de utilidade pública. Ir até uma autoridade pública, e buscar junto a ela soluções para um problema comunitário, é um direito inerente à condição de cidadão e de conselheiro. Não permitir que esse tipo de contato seja intermediado por "padrinhos" ou "pistolões" e transforme-se em "favor". Dicas * Solicitar antecipadamente uma audiência ou reunião. * Identificar-se como cidadão e conselheiro tutelar. * Antecipar o motivo da audiência ou reunião. * Comparecer ao compromisso na hora marcada. * Comparecer ao compromisso, sempre que possível, acompanhado de outro conselheiro. Isso evita incidentes e entendimento distorcido ou inadequado do que foi tratado. * Registrar por escrito os resultados da audiência/reunião Capacidade de Negociação: Saber quando ceder ou não ceder frente a determinadas posturas ou argumentos das pessoas que tomam decisões, sem que isso signifique deixar de lado o objetivo de uma reunião ou adiar indefinidamente a solução de uma demanda comunitária. Numa negociação é fundamental que as partes se respeitem e não se deixem levar por questões paralelas que desviem a atenção do ponto principal ou despertem reações emocionais e ressentimentos. Dicas * Utilizar plenamente sua capacidade de interlocução. * Ter claro o objetivo central da negociação. * Identificar, com antecedência, os caminhos possíveis para alcançar seu objetivo central, a curto, médio e longo prazos. * Prever os argumentos do seu interlocutor e preparar-se para discuti-los. * Ouvir os argumentos do seu interlocutor e apresentar os seus contra-argumentos, com serenidade e objetividade. * Evitar atritos, provocações, insinuações e conflitos insuperáveis. * Usar de bom senso, sempre. Capacidade de Articulação: Saber agregar pessoas, grupos, movimentos, entidades e personalidades importantes no trabalho de promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes, que é coletivo, comunitário, obrigação de todos. É fundamental agir com lucidez e pragmatismo, buscando fazer articulações, alianças e parcerias (transparentes e éticas) com todos que estejam dispostos a contribuir e somar esforços. Dicas * Identificar e conhecer pessoas, grupos, movimentos comunitários e personalidades da sua comunidade, do seu município. * Apresentar-lhes os trabalhos e atribuições do Conselho de Direitos. * Apresentar-lhes formas viáveis de apoio e participação. * Negociar para resolver, para agregar. Administração de Tempo: Saber administrar eficientemente o tempo permitirá ao conselheiro um equilíbrio melhor entre a vida profissional e pessoal, melhorando a produtividade e diminuindo o estresse. O tempo é um bem precioso – talvez o mais precioso do ser humano – dado o seu caráter de recurso não renovável. Uma oportunidade perdida de utilização do tempo com qualidade não pode ser recuperada. Dicas * Organizar os postos de trabalho (sala, mesa, arquivos etc.). Dar outra utilidade (doar, remanejar) ao que não tem mais serventia no seu posto de trabalho e jogar fora tudo o que é imprestável. * Melhorar o sistema de arquivamento. Arquivar tudo aquilo que não é de uso constante. * Guardar as coisas (materiais, documentos etc.) de uso constante em locais de rápido e fácil acesso. * Reorganizar os postos de trabalho ao final de cada dia. Não deixar bagunça para o dia seguinte. * Identificar os pontos críticos de desperdício de tempo e buscar superá-los com um melhor planejamento e com mais objetividade. * Não abandonar os momentos de lazer e as coisas que gosta de fazer. Eles são fundamentais para preservar sua saúde mental. * Utilizar o tempo disponível para a capacitação profissional: ler, estudar, adquirir novas habilidades e informações. Reuniões Eficazes: Saber organizar e conduzir reuniões de trabalho é vital para o dia-a-dia do Conselho Tutelar. É importante fazê-las com planejamento, objetividade e criatividade. Quando bem organizadas e conduzidas, as reuniões tornam-se poderosos instrumentos de socialização de informações, troca de experiências, decisões compartilhadas, alinhamento conceitual, solução de conflitos e pendências. Dicas * Confirmar primeiro a necessidade da reunião. * Definir uma pauta clara, curta e objetiva. * Dimensionar o tempo necessário para o equacionamento da pauta. Evitar reuniões com pautas imensas e, consequentemente, longas, às vezes intermináveis. * Ter clareza de quem realmente deve participar da reunião. As demais pessoas poderão ser informadas ou ouvidas de outras maneiras. Fazer reuniões e não assembléias. * Informar aos participantes da reunião, com antecedência: pauta, horário, local, data, tempo previsto para reunião. * Começar a reunião na hora marcada. Não esperar retardatários. Criar disciplina. * Controlar o tempo da reunião, das exposições, dos debates. Buscar concisão. * Zelar pelo direito de participação de todos. Incentivar a participação dos mais tímidos, sem forçá-los a falar. * Evitar conversas paralelas. Combater a dispersão. * Fazer, ao final de cada reunião, uma síntese do que foi tratado e decidido. Registrar e socializar os resultados. Elaboração de Textos: Saber comunicar-se por escrito é fundamental para um conselheiro. É preciso clareza, linguagem correta, objetividade e elegância na elaboração de textos (relatórios, ofícios, petições etc.). Não é preciso – e está fora de moda – o uso de linguagem rebuscada, cerimoniosa, cheia de voltas. Ser sucinto e ir direto ao assunto são qualidades indispensáveis. Dicas * Ter claro o objetivo e as informações essenciais para elaboração do texto. * Fazer um pequeno roteiro para orientar/organizar o trabalho de escrever. * Perseguir: clareza, ordem direta das idéias e informações, frases curtas. * Não dizer nem mais nem menos do que é preciso. * Usar os adjetivos e advérbios necessários. Evitar adjetivação raivosa e, na maioria das vezes, sem valia. * Combater sem tréguas o exagero e a desinformação. * Reler o texto: cortar palavras repetidas, usar sinônimos ou mudar a frase. * Evitar gírias, jargões técnicos, clichês, expressões preconceituosas ou de mau gosto. * Se a primeira frase do texto não levar à segunda, ele certamente não será lido com interesse. Criatividade Institucional e Comunitária: Saber exercitar a imaginação política criadora no sentido de garantir às ações desenvolvidas para o atendimento à criança e ao adolescente não apenas maturidade técnica, mas o máximo possível de legitimidade, representatividade, transparência e aceitabilidade. Saber empregar de forma criativa os recursos humanos, físicos, técnicos e materiais existentes, buscando qualidade e custos compatíveis . Dicas * Organizar o trabalho: horários, rotinas, tarefas. * Trabalhar em equipe. * Trabalhar com disciplina e objetividade. * Buscar sempre o melhor resultado. * Prestar contas dos resultados à comunidade. * Buscar soluções alternativas quando as soluções convencionais se mostrarem inviáveis. * Incentivar outras pessoas a “pensar junto”, a se envolverem na busca de soluções para uma situação difícil. * Fundamentar corretamente as decisões tomadas, para assegurar um bom entendimento por parte de todos os envolvidos. * Criar um clima saudável no trabalho. Investir na confiança e na solidariedade. * Estudar. Buscar conhecer e trocar experiências. * Criatividade é aprendizado. Surge do encontro da percepção de todos. Seja um integrador. Seja atento e antenado com o que vai pelo mundo. FONTE DE PESQUISA: http://www.promenino.org.br

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