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domingo, 1 de março de 2009

Críticas sobre coca põem em risco convênio com EUA, diz Bolívia

La Paz - O Governo da Bolívia afirmou que o relatório anual sobre drogas dos Estados Unidos - que critica a política do país andino sobre a folha de coca - coloca em risco a renovação do convênio de cooperação antinarcóticos entre os dois países, informa hoje a imprensa local. O vice-ministro da Defesa Social, Felipe Cáceres, competente em política antidrogas, afirmou que "está em risco" a renovação este mês do acordo de cooperação na luta contra o narcotráfico, em função das críticas do relatório americano, informou o diário "La Razón". "O relatório entorpece ainda mais as relações bilaterais, mas tudo pode ser resolvido com diálogo", afirmou Cáceres em alusão ao documento no qual os Estados Unidos pediram à Bolívia que "reverta" sua política de expansão dos cultivos legais de coca. No relatório, os EUA destacam que a Bolívia continua sendo o terceiro país do mundo que mais produz coca, e criticam que o presidente Evo Morales "continue promovendo sua política de 'zero cocaína, mas não zero (folha de) coca', além de apoiar a industrialização da coca". O documento também pediu ao Executivo de Morales um maior esforço para acabar com o mercado ilegal de coca, e mais cooperação com os países vizinhos. O Ministério de Exteriores boliviano desqualificou o relatório por "mentir" e "agredir" o Executivo de Morales, e porque "manipula arbitrariamente números referentes à luta antidrogas na Bolívia em 2008 sobre a base de estimativas não corroboradas". Cáceres, dirigente sindical cocaleiro, assim como Morales, insistiu em que "coca não é cocaína", e que essa é uma idéia que Washington deve aceitar se quiser continuar cooperando no país. O cultivo de folha de coca, matéria-prima para a realização da cocaína, é legal em determinados territórios da Bolívia, onde tem usos terapêuticos e ancestrais. A Bolívia erradicou no ano passado cinco mil hectares de cultivos ilegais da folha, mas desde janeiro essas atividades estão paralisadas, segundo o Governo, devido à falta de apoio da divisão antinarcóticos da Embaixada dos EUA. As relações entre Bolívia e Estados Unidos se encontram em um de seus momentos mais frios desde que Morales expulsou, em setembro de 2008, o embaixador americano Philip Goldberg, acusado pelo Governo de conspiração. Os EUA responderam expulsando o embaixador boliviano Gustavo Guzmán e retiraram a Bolívia dos benefícios tarifários que concedem aos países andinos por seus esforços contra o narcotráfico. As informações são da EFE

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